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1 de julho de 2009

Mudam-se os tempos, mas nem sempre para melhor

que.notas.sao.estas 

Neste caso mudaram para pior. Muito pior.

Nota: a etiqueta de humor atribuída enquadra-se na subcategoria humor negro.

25 de junho de 2009

Especialistas há muitos, seus palermas!

Especialista considera Portugal "líder mundial a repensar a educação"

O especialista canadiano em tecnologia Don Tapscott aponta Portugal como um exemplo a seguir na educação, elogiando o investimento em computadores individuais nas salas de aulas. Num artigo de opinião publicado no blogue Huffington Post - onde já escreveu Barack Obama -, Tapscott dirige-se directamente ao presidente dos Estados Unidos da América: "Quer resolver os problemas das escolas? Olhe para Portugal!". Ler o resto aqui.

Obama, se estás a ler isto, por favor não acredites já no “especialista”. Informa-te mais um bocadinho.

Eu também considero que há muita gente que fala sem saber do que fala.

Pelo currículo que vem após o post original, claramente se vê que este é um “especialista” grado. Até tem livros publicados.

Don Tapscott's is the author of 13 books about new technologies in business and society, most recently Grown Up Digital. He is Chair of the nGenera Insight think tank, and an Adjunct Professor at the Rotman School of Management, University of Toronto.

Dá-me ideia que o “especialista” está demasiado embrenhado no seu mundo tecnológico.

Deixei um comentário (com um inglês algo técnico) no post original, que isto de ir beber à fonte tem outro encanto. Como já estavam lá outros mais relacionados com as pedagogias, resolvi meter-me pela via dos custos associados.

Para acabar, aqui fica a última frase do artigo do “especialista”. Emociona.

Yet after seeing the promise of the exciting classrooms in Portugal, I'm convinced it is worth it. Your child should be so fortunate.

22 de junho de 2009

Algumas considerações sobre o facilitismo dos exames nacionais – parte 2 (as calculadoras gráficas)

Este post vem na sequência do post Algumas considerações sobre o facilitismo dos exames nacionais – parte 1 (os formulários).

O meu exame nacional de matemática de 12º tinha escrito no seu cabeçalho: Material permitido - material de escrita. Portanto, nem calculadora, fosse de que tipo fosse!

Claro que não sou apologista da não utilização da calculadora, bem pelo contrário. É essencial, apesar de muito subaproveitada. Contudo, a forma como tem vindo a ser utilizada é altamente perniciosa e penso que revela bem o laxismo e o facilitismo com que os alunos se deparam.

Como referi no post anterior,

Desde que, em 2006, foram implementados os exames de Física e Química A, não houve um único exercício nestes exames que tivesse obrigado à utilização das tão importantes e louvadas capacidades que as calculadoras gráficas possuem. Ou seja, qualquer calculadora científica não gráfica permitiria resolver as questões dos exames.

Para que têm então servido as extraordinárias capacidades das actuais calculadoras? Pura e simplesmente para cabular.

Pois é, as extraordinárias capacidades das novas calculadoras são usadas da seguinte forma: para cálculos, como uma calculadora básica, não gráfica, e depois, para arquivar as cábulas .

Para que não pensem que exagero, leiam estes diálogos retirados do fórum do exames.org. (Os intervenientes não são apenas dois, mas vários).

Penso que mostram bem o estado das coisas e o clima de impunidade que os alunos sentem.

Nota: não editei os diálogos, pelo que lamento a dificuldade que venham a sentir na sua leitura.

olá! O que é que acontece se formos apanhados com programas/ cábulas na calculadora durante 1 exame nacional? :? agradecia muito que me respondessem
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quando te deixam levar maquina grafica e porque podes usar todas as suas potencialidades
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pois... na makina pods ter la o k kiseres. nao pods é escrever nd por fora. nem guardes nnhum papelinho junto ds pilhas.. lol hj ate aí foram ver!
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ya lá isso é verdade. A mim só se viram o Modelo da calculadora para ver se era admitida, e tive sorte que eram profs de Português e Filosofia a vigiarem o exame, ou seja, se vissem lá as "cabulas", e perguntassem, dizia-lhes que eram uns modelos quaisquer (sim no caso de Matemática Aplicada. mas também verdade seja dita, as minhas cabulas eram maiores que a lista de compras do início do mês! Lol
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Ninguem te pode verificar a memora da makina..!
És livre de recorrer a todas as funcionalidade da makina !

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As minhas cabulas estão protegidas por pass por isso niguem vê. Se alguem ver a lista de programas digo k não sei a pass porke a emprestei a um primo. Se eles quiserem que façam reset.
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Não, é proibido por lei fazer reset à máquina! ;)
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So podem ver o exterior da maquina. De resto nao te podem mexer nos programas ;)
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Já agora, relativamente as resets e a eles fazerem qualquer coisa na máquina: "Aos alunos é permitida a utilização de todas as potencialidades da máquina, não sendo por isso permitida qualquer intervenção no sentido de fazer reset à mesma."

Será que eles sabem que as máquinas "dão para aquilo que a gente quer"? LOL
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Pessoalmente não vejo nenhuma vantagem em pôr passes a proteger os documentos po exame, já que ninguém vos pode mecher na máquina...aliás só perdem é tempo a escrever a pass de cada vez que querem ir ao documento
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mesmo que te mexam na maquina so' podem ver o exterior. os profs n tem autorizaçao pa ver os programas da maquina
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a minha prof de FQ ainda ontem quase que nos "obrigou" a passar tudo o que pudessemos pra maquina, formulas, texto, tudo tudo :P eles nao podem ver o conteudo da maquina, a unica coisa k fazem antes do exame é ir as salas ver se as maquinas q temos estão entre os modelos autorizados pra usar no exame...por isso
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Passei horas a escrever coisas na máquina. Do que passei não sai nada. Colector solar, painel, CFCs, etc.
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Alguem me pode dar dikas para passar cabulas do pc para a makina??? tipo eu nao consigo passar...
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Ter o programa instalado e os cabos... depois é só dar ao dedo a escrever o que precisam

E ainda outra conversa, também retirada do fórum do exames.org.

Pessoal, Posso usar a MAQUINA CALCULADORA GRAFICA (claro que posso) para cabular??? Tipo, copiar textos da calc e os stores a ver? Posso fazê-lo sem ser às escondidas? Eles não anulam a prova ou veem ver as maquinas? Como é?
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Podes por lá o que quiseres, mas por amor de deus, daí a teres o stor a ver que estás a copiar tudo da calculadora, é abusar um bocado. Digo eu.
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Então posso? Quer dizer, copiar sem stress?
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Podes copiar. Podes por o que quiseres na calculadora o que quiseres. Mas, teoricamente, não se pode copiar nos exames, por isso se estiverem a olhar para ti, espera um bocado. Quando o prof nao estiver a ver, vai ver as cábulas. Ele só consegue ver que tens texto na calculadora se estiver em cima de ti (o que duvido). Isto tudo para dizer: podes copiar, mas nao sem stress.
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Podes usar "todas as potencialidades da calculadora gráfica", por isso... Claro que parece mal um setor estar a ver-te a copiar, mas eles não tem autorização para nos mexerem nas máquinas e nós podemos usar a máquina com todas as suas capacidades, por isso, acho que podes tar à vontade
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Podes fazer o que te apetecer com a informação que tens no "software" da calculadora.
E se algum vigilante implicar contigo, estás à vontade para o processar.
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Processar? Eu só preciso de copiar o que ta na maquina...
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Pois, mas imagina que te faziam reset à máquina e perdias a informação que lá estava (eu cá não corro esse risco porque tenho tudo no arquivo)... Nesse caso podias muito bem processar quem te tinha feito isso. E, obviamente, não podem dizer-te o que quer que seja relativamente à informação que tens na calculadora...
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De acordo com a lei, podes recorrer a todas as capacidades da calculadora. Não podes é ter nada escrito a caneta nem papéis na calculadora que pareçam ser cábulas...
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Assim sim, mas espero ficar nas mesas de tras, para nao correr riscos, mas as portas ficam abertas por isso nao sei nao !!!!
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Não corres riscos.

Reparem como a dúvida já não era se podiam utilizar as cábulas mas se o podiam fazer mesmo com os professores a ver. Pois é, os alunos sabem que não correm riscos e algum vigilante mais metediço ainda se arrisca a ser processado por algum menino. Tudo isto com a autorização dos serviços do ME. Leiam este esclarecimento, enviado para uma escola, pela DGIDC (Direcção-geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular), serviço do ME. Pode encontrar aqui o documento completo. Clique na imagem para que a possa ver em bom tamanho.Oficio_Circular_1743_09_2 É isto que se pretende dos alunos da área de ciências? Muitos alunos podem não saber utilizar muitas das ferramentas, de facto necessárias e muito úteis, da calculadora, mas não há nenhum que não saiba como utilizá-la para cabular. Fazer exames assim é quase o mesmo que fazê-los com consulta.

Para mim é óbvio que à entrada dos exames (e testes, já agora) devia fazer-se reset (limpeza da memória) à calculadora. Não o fazer é fingir que não sabemos que os alunos estão a cabular. Para quem não sabe, o reset à calculadora não retira qualquer das funcionalidades necessárias para realizar a prova.

Será que todos os que opinam sobre estes assuntos têm conhecimento de que as coisas se passam desta forma? Será que ignoram para não arranjarem chatices com recursos e processos? Serei só eu que acho isto escandaloso?

Nota final: também já é possível utilizar as máquinas de calcular gráficas nos exames de matemática do 9º ano. Agora só falta permitir o CAS.

E depois disto tudo ainda há quem continue a dizer que há rigor e exigência. Pois!

Se tiver algo a dizer sobre o tema, convido-o a deixar um comentário.

Algumas considerações sobre o facilitismo dos exames nacionais – parte 1 (os formulários)

Agora que estamos em época de exames e em que surgem opiniões a favor e contra os ditos exames, gostaria aqui de tecer algumas considerações.

Em primeiro lugar, penso que os exames nacionais são imprescindíveis, o leque de disciplinas a que são realizados deve ser alargada e o seu peso deve ser maior. Quer no básico quer no secundário.

Mas, quando falo em exames, são exames a sério e não o que está actualmente instituído e é anualmente produzido pelos serviços do Ministério da Educação.

Já agora, gostaria de esclarecer que, ao contrário do que afirmaram recentemente membros do governo responsáveis pela educação, não são os professores que fazem os exames, mas sim alguns professores destacados, acredito que pela sua competência, pelos serviços do ME. Deixo a pergunta: será que um serviço que elabora exames e que está na dependência directa do poder político pode ser totalmente independente durante o processo de elaboração dos exames? Concordo com o Nuno Crato que afirmou ainda recentemente:

Os exames devem sair do Ministério da Educação, criando um gabinete de avaliação independente, até porque temos vindo a assistir a algo sem precedentes que é a utilização da avaliação como arma política.

Quanto ao facilitismo que considero estar instalado nos exames nacionais, não vou analisar a dificuldade das perguntas que têm saído, pois são analisadas pelas competentes sociedades científicas. Vou sim focar a questão dos formulários e sua evolução ao longo das mudanças programáticas, bem como a questão das máquinas de calcular gráficas e o modo como são utilizadas pelos alunos.

Vejamos a evolução (recente) dos formulários:

Os exames que realizei, no início dos anos 90, não tinham formulários. Tínhamos que saber as fórmulas a utilizar e a sua aplicabilidade. De seguida mostro a evolução dos formulários fornecidos nos exames das disciplinas de Matemática, Física e Química (estes dois últimos substituídos mal, quanto a mim, pela disciplina de Ciências Físico-Químicas - desde a reforma do secundário proposta por David Justino, que o ensino das ciências no secundário está uma sombra do que já foi).

Exame de Matemática de 12º, “programa antigo”, de 2000.

Formulário fornecido: Não há!

Exame de Matemática de 12º, “programa ajustado”, de 2000.

Formulário fornecido: O ajuste possibilitou que se fornecesse uma página repleta de fórmulas. Clique na imagem para que a possa ver em bom tamanho.exame_M12_2000_form

Exame de Matemática de 12º, de 2008.

Formulário fornecido: Clique na imagem para que a possa ver em bom tamanho.exame_M12_2008_form

Exame de Física de 12º, “programa antigo”, de 2000.

Formulário ou constantes fornecidas:2009-06-21_163459E é tudo! O aluno tinha que saber o resto. Faço notar que a calculadora permitida nesta altura era uma simples calculadora científica, não gráfica.

Exame de Física de 12º, “programa novo”, de 2007 (último ano em que houve exames de Física de 12º).

Formulário fornecido: Passámos de zero fórmulas para 3 páginas de fórmulas. Clique nas imagens para que as possa ver em bom tamanho.

exame_F12_2007_form1 exame_F12_2007_form2 exame_F12_2007_form3

Exame de Química de 12º, “programa antigo”, de 2000.

Formulário ou constantes fornecidas: Não são fornecidas fórmulas e apenas as constantes necessárias, como constantes de solubilidade, algumas massas moleculares, constante de Planck,… O óbvio e justo.

Exame de Química de 12º, “programa novo”, de 2007 (último ano em que houve exames de Química de 12º).

Formulário fornecido: Passámos de zero fórmulas para 2 páginas de fórmulas. Clique nas imagens para que as possa ver em bom tamanho.

exame_Q12_2007_form1 exame_Q12_2007_form2

Exame de Física e Química A de 11º/12º, de 2009.

Formulário fornecido: Clique nas imagens para que as possa ver em bom tamanho.

exame_FQ_2009_form1 exame_FQ_2009_form2

Pergunto: Com exames que contêm formulários destes, o que se exige mesmo dos alunos de ciências? E note-se que, para além de fornecerem as "fórmulas", ainda é explicado o significado de cada símbolo e alguma teoria subjacente.

Poderíamos pensar que, agora que dão as fórmulas, os raciocínios seriam mais elaborados e as relações a fazer mais complexas. Nada mais longe da verdade. Os cálculos são bastante mais simples que os exigidos anteriormente e os problemas também não obrigam a raciocínios mais complexos.

Para além destes formulários, passou a ser permitida a utilização da calculadora gráfica, ao contrário dos antigos exames de Física e Química de 12º.

Claro que os actuais programas focam muito o uso das capacidades gráficas das calculadoras que, de facto, têm imensa utilidade. Mas o que acontece nos exames? Será que essas capacidades estão a ser utilizadas?

Desde que, em 2006, foram implementados os exames de Física e Química A, não houve um único exercício nestes exames que tivesse obrigado à utilização das tão importantes e louvadas capacidades que as calculadoras gráficas possuem. Ou seja, qualquer calculadora científica não gráfica permitiria resolver as questões dos exames.

Para que têm então servido as extraordinárias capacidades das actuais calculadoras? Pura e simplesmente para cabular. Mas com exames que contêm formulários destes, ainda são necessárias cábulas? Acham que exagero?

Continua no próximo post, que este vai longo…

Se tiver algo a dizer sobre o tema, convido-o a deixar um comentário.

1 de junho de 2009

Dia da Criança (que há em todos nós)

calvin_auge_evolução

Calvin & Hobbes, Bill Waterson

Se reflectirmos bem, temos uma grande responsabilidade.

Quando penso no estado do ensino (principalmente quando me deparo com notícias destas), muitas vezes me interrogo: “Tantos anos de evolução para isto?!”

Nota: O tradutor devia ter traduzido o billion original por mil milhões e não por bilião, que para nós significa milhão de milhão.

20 de maio de 2009

Wolfram Alpha: o motor de busca que responde a perguntas já está disponível

Quando pesquisa informação no Google, muita da informação que recebe não tem relevância e, quando tem, ainda tem que perder muito a tempo a encontrar exactamente o que procura.

wolfram-logoO Wolfram Alpha não pretende competir com a quantidade de informação que o Google tem indexada, mas é extremamente útil visto que nos dá respostas directamente às questões que lhe colocamos.

Apesar de ainda não estar disponível em Português, é uma ferramenta extraordinária e que aconselho vivamente.

Aqui tem um vídeo explicativo do modo como funciona.

Endereço: http://www.wolframalpha.com

(…) O Wolfram Alpha difere do Google e dos restantes motores de busca porque responde a perguntas concretas, em vez de elencar as páginas de Internet onde os utilizadores podem ir buscar informação relacionada com as palavras de pesquisa. (…)

Depois de feita uma pergunta, o sistema processa as respostas recolhendo dados de várias páginas e bases que contenham unicamente informação relevante para essa pergunta em concreto.

Compreender o conteúdo das páginas (em vez de procurar apenas palavras-chave) e das perguntas do utilizador é apontado por muitos analistas como o futuro da pesquisa na Internet e tanto a Google como o Yahoo têm cientistas a trabalhar nesta área.

O projecto – da autoria do físico Stephen Wolfram, com base num sistema de algoritmos matemáticos – pode ser descrito como uma intersecção entre análise de conteúdos e as buscas genéricas na net.

Aquilo que o Wolfram Alpha faz é dar uma resposta, em vez de remeter para potenciais respostas. “Tenta dar-nos informação útil com base naquilo que consegue processar”, disse Wolfram. “O objectivo é dar a toda a gente acesso a explicações ao nível de um perito”. Ler notícia completa no Público.

Alguns resultados que obtive no pouco tempo que o testei:

Clique nas imagens para vê-las em bom tamanho.

Wolfram-Alpha_maximum

Wolfram-Alpha_derivative

Wolfram-Alpha_water chemistry

Wolfram-Alpha_F=30N, d=100m

Tem aqui mais exemplos.

wolfram-88mpg_001Os criadores também mostraram ter sentido de humor, havendo várias respostas engraçadas que já foram descobertas. Ver aqui, por exemplo.

A figura do lado mostra como pode ser usado como conversor de unidades, tendo uma resposta curiosa no final.

Mais sobre este tema dos motores de busca, aqui.


Teste o Wolfram Alpha e diga de sua justiça.

18 de maio de 2009

Portal educativo e científico: Gulbenkian cria Casa das Ciências

Casa das CiênciasGulbenkian cria Casa das Ciências para professores do básico e secundário

A pensar nos professores das áreas científicas do ensino básico e secundário, a Fundação Calouste Gulbenkian lança esta manhã, o portal na Internet chamado Casa das Ciências (www.casadasciencias.org) e coordenado pelo professor Ferreira Gomes, da Universidade do Porto.

Os professores podem registar-se e aceder a mais de 700 conteúdos educativos na área da Matemática, Física, Química, Biologia e Geologia. Estes estão em constante actualização.

Segundo um comunicado da Gulbenkian, todos os materiais colocados ou recomendados são “sujeitos a uma avaliação prévia segundo critérios de rigor científico e pedagógico”. Ler notícia completa no Público

17 de maio de 2009

Exemplos a seguir

Achei este artigo interessante.

Alunos com vocação para a excelência

Distinguem-se pelas notas, mas não é isso que os faz estudar. Gostam de aprender, têm sede de conhecimento e são automotivados. Não correspondem ao estereótipo do "rato de biblioteca" e têm vida para além dos estudos, envolvendo-se em diversas actividades. Os métodos de estudo variam muito e não parecem ser determinantes para o sucesso. O prazer de saber mais é que os diferencia. (…)

Método de estudo: "O método não é o mais importante. Estudar com prazer é que faz toda a diferença. Tenho uma paixão por aprender. Não estudo para tirar boas notas, isso é a consequência de saber." (…)

Método de estudo: "Estar atento às aulas e nunca sair da sala com dúvidas. E resolver muitos problemas, é assim que gosto de estudar". (…)

Ler o artigo completo aqui, no JN.

São aqueles a quem a inveja, a falta de ambição e a preguiça alheia, leva a que sejam apelidados de marrões. Por mim, acho que precisamos de mais “marrões” que procuram a excelência e de menos calões que se contentam com a mediocridade.

2 de maio de 2009

Só os professores de Matemática compartilham “verdades perfeitas e universais”.

Como professor, já estive nesta situação, que foi apanhada, com o habitual humor, pelo xkcd.

a(b+c)=(ab)+(ac).  Politicize that, bitches.

Ninguém compartilha verdades perfeitas e universais com os seus estudantes a não ser os professores de matemática? Hum…

19 de abril de 2009

Teste de Einstein. Os 2% seriam quantos agora?

_Albert_Einstein_photo_1920Diz-se (não encontrei provas) que, em 1918, Albert Einstein idealizou este desafio e disse que só 2% da população mundial o conseguiria resolver. Hoje em dia a percentagem dos que o conseguem solucionar será, certamente, bastante maior.

É preciso ter a noção que em 1918 a instrução média da população era bem menor do que a actual e a quantidade de informação que analisamos por semana deve ser maior do que a maioria da população da altura se deparava durante toda a sua vida.

Mas o nosso cérebro não é diferente do cérebro de há 100 anos. Podemos talvez afirmar que, para a maior parte das pessoas, se encontra mais treinado.

Na imagem vê-se Einstein no seu escritório na Universidade de Berlim (cerca de 1920). Fonte

E agora a charada. Reparem no facto, actualmente politicamente pouco correcto, de uma das características ser o facto de todos serem fumadores. Eu, mesmo sendo um não fumador inveterado e sem compreender como, com tanta informação disponível, ainda há quem insista no vício ou o inicie, não fiz uma censura que alguns já fizeram, transformando os cigarros em peças de fruta.

Há cinco casas de diferentes cores. Em cada casa mora uma pessoa de uma diferente nacionalidade. Os cinco proprietários bebem diferentes bebidas, fumam diferentes tipos de cigarros e têm diferentes animais de estimação. A questão é, quem tem um peixe?

  1. O inglês vive na casa vermelha.
  2. O sueco tem cachorros.
  3. O Dinamarquês bebe chá.
  4. A casa verde fica à esquerda da casa branca.
  5. O dono da casa verde bebe café.
  6. O homem que fuma Pau Mali cria pássaros.
  7. O dono da casa amarela fuma Dunhill.
  8. O dono da casa do centro bebe leite.
  9. O norueguês vive na primeira casa.
  10. O homem que fuma Blends vive ao lado do que tem gatos.
  11. O homem que cria cavalos vive ao lado do que fuma Dunhill.
  12. O homem que fuma Bluemaster bebe cerveja.
  13. O alemão fuma Prince.
  14. O norueguês vive ao lado da casa azul.
  15. O homem que fuma Blends é vizinho do que bebe água.

Divirta-se, pensando! Para quem precisar de ajuda, ou quiser ter o trabalho mais simplificado, pode ser que este site ajude.

16 de abril de 2009

Portal Domínio Público – Biblioteca digital desenvolvida em software livre

Recebi a seguinte informação por email e aqui faço a sua divulgação.

Domínio Público - Pesquisa BásicaImagine uma bela biblioteca digital, desenvolvida em software livre , mas que está prestes a ser desactivada por falta de acessos.

Imaginem um lugar onde nós podemos gratuitamente:

· Ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci ;

· escutar músicas em MP3 de alta qualidade;

· Ler obras de Machado de Assis ou a Divina Comédia;

· ter acesso às melhores histórias infantis e vídeos da TV ESCOLA e muito mais.

Esse lugar existe!

O Ministério da Educação Brasileiro disponibiliza tudo isso, basta aceder ao site: www.dominiopublico.gov.br

Só de literatura portuguesa são 732 obras!

Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desactivar o projecto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno. Vamos tentar reverter esta situação, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura.

23 de março de 2009

Pais demissionários, filhos caprichosos: Entrevista muito interessante a Aldo Naouri, na Visão.

Vale mesmo a pena ler esta entrevista a Aldo Naouri, pediatra francês, que advoga o regresso da firme autoridade parental. Encontrei as imagens aqui.

Clique nas imagens para as ver em bom tamanho.

visao-1_aldo_naouri

visao-2_aldo_naouri

Para reflectir.

21 de março de 2009

Pode ser-se culto sem se ter cultura científica?

Artigo interessante, recolhido do Rerum Natura.

c.p.snowO jornalista de ciência norte-americano Peter Dizikes analisa, no suplemento de livros do "New York Times" publicado hoje, o famoso discurso das "Duas Culturas", cultura científica e a cultura literária, que foi proferido pelo físico e romancista C. P. Snow (na imagem) na cidade de Cambridge, Inglaterra, há quase meio século (faz em 7 de Maio 50 anos). Ler aqui.

Extracto mais famoso do discurso:

"A good many times I have been present at gatherings of people who, by the standards of the traditional culture, are thought highly educated and who have with considerable gusto been expressing their incredulity at the illiteracy of scientists. Once or twice I have been provoked and have asked the company how many of them could describe the Second Law of Thermodynamics. The response was cold: it was also negative. Yet I was asking something which is the scientific equivalent of: Have you read a work of Shakespeare's?

I now believe that if I had asked an even simpler question — such as, What do you mean by mass, or acceleration, which is the scientific equivalent of saying, Can you read? — not more than one in ten of the highly educated would have felt that I was speaking the same language. So the great edifice of modern physics goes up, and the majority of the cleverest people in the western world have about as much insight into it as their neolithic ancestors would have had."

Isto acontecia há 50 anos. Ainda é aplicável hoje em dia? Julgo que sim.

Tudo isto me fez lembrar a frase de Carl Sagan que está no cabeçalho deste blogue.

16 de fevereiro de 2009

Conspiração? Infelizmente, é a realidade.


Segue um artigo do Chris Woodhead. Muito interessante. Descobri-o aqui e pode lê-lo na totalidade aqui.

"There is a conspiracy to deny children the vital lesson of failure

Parents, teachers and ministers are all engaged in a deception over our exam system says the former chief inspector of schools

Sitting at the back of the classroom, I cringed. A pupil had given an answer that betrayed his complete misunderstanding of the question. His teacher beamed. “Well done, Johnny,” she said, “that is fantastic.”
Why, I asked her afterwards, had she not corrected his mistake? She looked at me as if I were mad. “If I’d told him that he’d got it wrong he would have been humiliated in front of the rest of the class. It would have been a dreadful blow to his self-esteem.” With a frosty glare she left the room.
(...)
Do not get me wrong. I am not advocating ritual and routine humiliation. A child’s self-esteem can be damaged by a teacher’s unthinking criticism. But, equally, what is the point of children thinking their achievements are wonderful when in fact they are mediocre or pathetic?
(...)
Every year since it has been the same old story. Each new cohort of 16 and 18-year-olds achieves better than ever examination results. Ministers tell us this is because each new generation is more intelligent and diligent than the one before and their teachers are teaching better each year. The truth is the examinations have been dumbed down so that more students appear to do well.
Researchers at Durham University have monitored A-level standards over 20 years. Each year they have compared the results that a group of students achieved on an aptitude test with their A-level grades. A student who achieved a grade C in 1988 would have been awarded a grade A in 2008.

The authors of a report on childhood commissioned by the Children’s Society think that we must employ a thousand more therapists and counsellors to help our damaged children. What we really need is a little clarity about the nature of education and the miseries of man.
Life is about failure and learning from failure. We do our children no favours when we cocoon them in a false sense of success.
We need more competition, not less as the report for the Children’s Society advocates. Why can’t we be more honest? Why can't we admit that some children will fail? When is education policy going to be rescued from the corrosive sentimentality into which it has sunk? "

Encontram semelhanças com a situação portuguesa?

19 de janeiro de 2009

Um dos muitos motivos pelos quais estou hoje em greve

Um dos muitos motivos pelos quais estou hoje em greve, é o facto do ensino do país seguir em movimento tortuoso aceleradíssimo para o que está descrito na imagem.

Esse ensino não é o que pretendo, nem o que faz falta ao país.

Cabe também aos alunos e encarregados de educação decidir para que serve afinal a escola.

Leiam também este artigo que recentemente aqui coloquei, este outro no Dúvida Metódica, e a entrevista à escritora Alice Vieira, que saiu hoje no Público.

13 de janeiro de 2009

Que ando eu a fazer na escola e para que preciso eu disto?

Ora nem de propósito, após ter publicado o artigo anterior, encontro no De Rerum Natura, este outro texto (De Rerum Natura: Escola e mentira), do Desidério Murcho, com o qual concordo e aqui faço referência.

Muitos dos alunos deste país deviam lê-lo com muita atenção, reflectir, após o que seriam capazes de responder à questão: "Que ando eu a fazer na escola e para que preciso eu disto?".

Pois bem, leiam:

"Uma das mentiras políticas mais persistentes no nosso país é a ideia de que a escola não dá dinheiro: que não tem valor instrumental como produtora de riqueza. A difusão desta mentira política serve os interesses das pessoas endinheiradas e lixa as outras.

Pedro Portugal mostrou em 2004 que isto é mentira. Com base num inquérito a cerca de dez mil trabalhadores realizado pelo INE em 2003, vê-se a realidade que seria de esperar: quem tinha concluído o secundário mas não tinha uma licenciatura e estava na casa dos trinta anos ganhava em média 778 euros por mês — ao passo que os licenciados da mesma faixa etária ganhavam cerca de 400 euros a mais por mês. E a diferença aumenta com o passar dos anos: na casa dos cinquenta anos um licenciado ganhava em média quase dois mil euros, ao passo que quem tinha apenas o secundário mal passava dos mil euros — ganhando apenas 800 euros por mês se tivesse só o 9.º ano, ou seja, menos 16 mil euros por ano comparando com um licenciado.

É claro que a escola compensa, economicamente. Mas os filhos de pessoas como eu valorizam a escola em qualquer caso, porque os seus pais valorizam o estudo intrinsecamente. Quem precisa de saber que a escola dá dinheiro para a valorizar são as pessoas economicamente desfavorecidas. A mentira política de que a escola não dá dinheiro prejudica-as gravemente, pois desperdiçam a oportunidade que têm de melhorar a sua situação. O estudante desfavorecido paga caro a sua rebeldia ignorante.

Também o país fica prejudicado; pois em vez de termos os melhores médicos, empresários ou professores, temos apenas os que não precisam de competir com os mais talentosos, que não vêm necessariamente das famílias mais ricas. No sistema actual desperdiça-se um dos bens mais preciosos: o talento. O João até poderia ser um empresário ou engenheiro mais talentoso do que o Josué, mas como é filho de pobre despreza o estudo — e o Josué passa-lhe à frente. E assim perdemos um profissional superlativo para ficarmos apenas com um coitadito que até se desenrasca à custa de muito marranço; mas quando a realidade se revela mais complexa do que vem nos livros, o Josué fica atarantado e limita-se a repetir que a realidade não devia ser daquela maneira porque não é isso que os livros dizem. (Este é o discurso dos reformistas educativos: as reformas educativas não produzem resultados, mas as teorias que estão na origem dessas reformas nunca estão erradas — é o país que está errado.)

Caso as políticas educativas fossem pensadas por pessoas com sensibilidade social — em vez de pessoas que fingem que a têm — uma das prioridades seria fazer ver aos desfavorecidos a importância económica da escola. A tendência do actual governo, que se diz socialista mas não é, foi precisamente a inversa: meter os pobres no gueto do ensino profissional, vendendo-lhes a ilusão de que é isso que dá dinheiro e não a universidade. Mas quantos dos filhos dos governantes vão para esse maravilhoso ensino profissional?"

31 de dezembro de 2008

Bom ano de 2009


Olá a todos! Em princípio este será o último artigo de 2008. Muitos mais virão em 2009, espero.

Desejo a todos, em especial aos meus alunos, um óptimo ano de 2009 e que concretizem os vossos objectivos.

Agradeço a todos os que participaram durante estes 3 meses e espero que tenham sido úteis os recursos que disponibilizei.

Como última nota/mensagem deste ano, deixo uns excertos de uma notícia recente do DN Online.

"Um diploma é garantia de menos desemprego. (...) De acordo com dados de Junho deste ano do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, tendo em conta os desempregados que terminaram cursos superiores entre 2004/2005 e 2006/2007, apenas três formações conseguiram a proeza de não ter um único inscrito nos centros de emprego. E são todas do Instituto Superior Técnico (IST): Engenharia Civil, Engenharia Informática e de Computadores e Engenharia Electrotécnica e de Computadores. Uma hegemonia que diz muito sobre o actual peso das novas tecnologias (...)

Mas que não significa que apostar noutras áreas e instituições seja uma aposta errada, como mostram as diferentes ofertas e instituições que ocupam os outros lugares neste
top .

(...) Resumindo: não há fórmulas infalíveis, apenas "indicadores" que podem orientar a escolha. "As ofertas de emprego são muitas vezes ditadas por ciclos", explica a directora do GPEARI. (...) Há no entanto uma certeza: "É sempre preferível ter um curso superior." Dados nacionais e internacionais mostram que os diplomados ganham melhor e têm 10% dos índices de desemprego dos restantes trabalhadores. A conclusão é simples: aprender compensa."

Um bom ano!

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Estão atentos a este blogue....