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15 de fevereiro de 2009

Isótopos, estabilidade e decaimento radioactivo

Átomos do mesmo elemento químico podem ter um número diferente de neutrões. As diferentes versões possíveis para cada elemento são chamadas isótopos. Conhecem-se 80 elementos com pelo menos um isótopo estável. O estanho, Sn, é o elemento com mais isótopos estáveis, 10.

Quantos isótopos pode um elemento ter? Será que cada átomo pode ter um num qualquer de neutrões?
Não! Há combinações de protões e neutrões que são estáveis. Elementos mais leves tendem a ter igual número de protões e neutrões, mas os elementos pesados precisam, aparentemente, de mais neutrões do que protões para que o seu núcleo seja estável. Quando esta estabilidade não é conseguida, os isótopos podem existir por algum tempo, mas são instáveis.

O que significa ser instável? Os átomos partem-se quando não têm o número certo de neutrões?
De certo modo, sim. Os átomos instáveis são radioactivos: o seu núcleo decai, emitindo radiação sob a forma de partículas ou ondas electromagnéticas.
Para exemplificar esse decaimento, indico mais adiante uma aplicação Java que mostra uma tabela com alguns isótopos e a forma como decaem.
Há várias formas de um átomo radioactivo decair. Por exemplo, o trítio ou hidrogénio-3, tem demasiados neutrões para ser estável.

O que acontece então? Expulsa um neutrão?
Não, os neutrões estão fortemente “fixados” no núcleo. O que acontece pode ser visto na aplicação Java (clique na imagem). Clique no trítio. O que observa? Pois é, um neutrão transformou-se num protão! Conseguiu-se, desta forma, que um isótopo instável do hidrogénio se convertesse num isótopo estável de hélio, o hélio-3. Explore a aplicação, vai reparar que muitos isótopos são estáveis, enquanto que outros têm vidas mais ou menos longas, convertendo-se noutros elementos.

Mas assim não se perdeu massa?
Não! Analisemos em maior pormenor o que aconteceu. Se reparar, o e o têm o mesmo número de massa, o que é bom, pois a massa tem que ser conservada. Há, no entanto, um problema: A carga eléctrica tem que ser conservada e isso, à primeira vista, parece que não sucedeu. O hidrogénio tem apenas um protão e o hélio tem dois, portanto parece que se criou carga positiva.

Como explicar isto?
Quando ocorre a transformação, também é libertado um electrão, que tem uma massa muito reduzida e que tem carga negativa, que cancela a do protão. Este processo tem o nome de decaimento beta e, neste contexto, o electrão é conhecido por partícula beta. Também é libertado um antineutrino, mas agora não iremos falar dele.

Pode-se escrever uma equação que descreva esta reacção?
Sim! Tal como se escrevem equações químicas, entre substâncias diferentes, com reagentes e produtos de reacção, também se pode escrever a equação nuclear que descreve este processo.
Podemos escrever a equação do decaimento beta do trítio, dando ao electrão um número de massa 0 (já que é cerca de 2000 vezes mais leve que o protão ou neutrão) e um número atómico de -1 (por causa da sua carga, claro).


Este processo liberta ainda um antineutrino e 18,6 keV de energia.

Repare que os números de massa de cada lado dão o mesmo total (3 = 3 + 0), acontecendo o mesmo com as cargas (1 = 2 + -1). Isto tem que ser sempre verdade numa reacção nuclear.

Existem outras formas de decaimento, mas fica para um próximo artigo.

Fontes: [1], [2], [3]

12 de fevereiro de 2009

Simulador: Fissão nuclear

Com este simulador pode dar início a uma reacção em cadeia do átomo de urânio, ou introduzir isótopos de urânio não radioactivos de modo a prevenir essa mesma reacção.

Pode também ficar a perceber o modo como a radioactividade é utilizada para produzir energia num reactor nuclear. Controle a potência de funcionamento do reactor, impedindo que os neutrões prossigam a reacção em cadeia.

Clique na imagem para iniciar a simulação. Caso não tenha JAVA instalado, pode obtê-lo na barra lateral deste blogue.

9 de fevereiro de 2009

LHC - Grande Colisionador de Hadrões

LHC - Grande Colisionador de Hadrões

Entrou em funcionamento no dia 10 de Setembro. Teve alguns percalços (normais para a maior máquina alguma vez construída pelo Homem) e encontra-se parado, para reparação, desde 19 de Setembro.

Onde fica? No Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), localizado perto de Genebra, na fronteira entre a Suíça e a França.

Porquê grande? Um túnel a 100 m de profundidade e com 27 km de perímetro tem que ser considerado grande. Repare bem na imagem. A sua função? Cito parte de um texto de Carlos Fiolhais publicado no Rerum Natura.

"Chama-se Large Hadron Rap porque a máquina que acelera as partículas é o Large Hadron Collider, LHC, em português Grande Colisionador de Hadrões. O que são hadrões? Partículas nucleares, que incluem os protões e os neutrões, ambos formados por três quarks, partículas que, tanto quanto sabemos, são blocos básicos que constituem a matéria. Toda a matéria é feita de quarks, electrões e neutrinos, os quarks no núcleo atómico, os electrões em volta e os neutrinos vadios por todo o lado. Os protões, ao baterem uns contra os outros no LHC, depois de andarem à roda no túnel, libertarão uma prodigiosa energia, que, em obediência à mais conhecida fórmula de Einstein, se transformará em matéria e anti-matéria. Haverá um fogo de artifício das mais variadas partículas que poderosos detectores irão identificar."

Por que é necessário uma máquina tão grande e tão cara para "esmagar" partículas? Porque para esmagar o átomo e assim explorar o seu interior, são necessárias energias extremamente elevadas. "Os protões circulam no LHC a uma velocidade de 99,999999% da velocidade da luz. De facto, circulam dois feixes de protões no mesmo túnel em sentidos opostas e, quando dois protões batem frontalmente, uma grande quantidade da imensa energia associada ao seu movimento pode, no momento da colisão, ser transformada em partículas que não existiam momentos antes. (...) Mas, no mundo da física de alta energia, a ocorrência de violentos choques, com muitos detritos espalhados, é exactamente o que os investigadores querem. Entre os detritos poderão encontrar-se partículas que existiram eventualmente há milhares de milhões de anos, mas que, devido à sua instabilidade, há muito que decaíram. A criação destas partículas raras numa experiência moderna é precisamente o objectivo do LHC. A ideia é que essas "espécies extintas" de matéria podem fornecer-nos informação preciosa sobre as forças da natureza." Ler tudo no Rerum Natura

E dá para ouvir música? Isso não sei, mas fica aqui um vídeo da autoria de estudantes a trabalhar no CERN. Mais informação aqui.


Muitos acreditam (sem fundamento??), que esta experiência poderá criar mini-buracos negros que poderão vir a engolir a Terra.

"Quando os protões colidirem uns com os outros no interior do acelerador, algo que os cientistas não estão certos que não possa acontecer é a produção de mini-buracos negros que engulam a matéria mais próxima. Um estudo recente mostra, porém, que a persistência de estrelas velhas no céu prova que pequenos buracos negros não podem engolir a Terra.
(...)
Para um buraco negro do tipo dos do LHC, que se estima tenha apenas um milésimo de milionésimo de milésimo de milionésimo de metro de extensão (um attometro), o buraco negro apenas poderia existir durante pouco mais de alguns milésimos de milionésimo de milésimo de milionésimo de milésimo de milionésimo de segundo. Não existiria o tempo suficiente para engolir qualquer matéria próxima e não representaria qualquer perigo para a matéria vulgar." Ler tudo no Rerum Natura

Caso esteja interessado em seguir em directo as operações do LHC, visite a seguinte página.

5 de janeiro de 2009

Força de colisão: Como parar um camião (e também um pouco de humor negro)

Neste pequeno vídeo podemos observar a colisão de um camião com um obstáculo - de muito boa qualidade, note-se.



Já neste, não sei se foi de propósito se foi uma brincadeira, mas de qualquer das formas as forças colocadas em causa são bem menores.

Desafio (limite 11/Janeiro): Assumindo que o camião tinha uma massa de 6 toneladas, que se deslocava a 50 km/h e se imobilizou em 0,1 s, calcula a intensidade da força de colisão exercida pelo obstáculo no camião.
Bom trabalho!

20 de outubro de 2008

Movimentos variados

Estas imagens tentam demonstrar o modo como a posição varia com o tempo em movimentos variados. Neste tipo de fotografias, fotografia estroboscópica, o intervalo de tempo entre cada imagem é constante e no filme fica registado a posição em que, nesse momento, o corpo em movimento se encontrava.
Fotografia 1 - Queda de uma bola de basquetebol, o flash disparou 20x por segundo.
Fotografia 2 - Jogador de golfe durante a execução de uma tacada. ("Densmore Shute Bends the Shaft", (1938) de Harold E. Edgerton, fotógrafo americano, que desenvolveu o seu trabalho na fotografia estroboscópica, ou seja, acção cinética de alta velocidade)

Fotografia 3 - Bola de ténis de mesa a saltitar numa mesa.

Fotografia 4 - Jogador de ténis durante a execução de um serviço. (“Jogador de Ténis”, (1938) de Harold E. Edgerton)

Questões (a lista poderá crescer): Responde no teu caderno e, quando tiveres as soluções, podes colocá-las aqui escrevendo um comentário. Antes de responderem ou colocarem questões leiam primeiro os comentários anteriores. Muitas vezes já foram correctamente respondidas e essas dúvidas esclarecidas. Não serão publicados respostas ou comentários sem identificação.

1- Caracteriza o movimento da bola da figura 1. Justifica.
2- Caracteriza o movimento do taco de golfe desde o início do movimento até colidir com a bola. O que observas na imagem que te permitiu concluir isso?
3- Caracteriza o movimento do taco de golfe desde o momento em que colide com a bola até que pára. O que observas na imagem que te permitiu concluir isso?
4- Na fotografia da bola que saltita, em que parte(s) da sua trajectória ela se desloca mais rapidamente? Justifica.
5- Que conversões de energia estão a ocorrer na fotografia 3?
Bom trabalho!

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